CONTANDO MENTIRA
Ou não...
quinta-feira, 30 de agosto de 2007
Autores Convidados
Como o tempo anda escasso, não tenho escrito tanto quanto gostaria. Esta semana, recebi de autores amigos, dois contos. Ambos, que desejam se manter o anonimato, me deram liberdade para mexer nos contos. Optei por publicá-los na integra, e no futuro, talvez usá-los como ponto de partida.
Se forem comentar, favor indicar a qual conto o comentário se refere.
Conto 1
E se aquele fosse apenas mais um dia ruim?
E se não valesse a pena?
Contraditória em si mesma, dentro de suas vontades e aflições conseguiu ao menos pensar que ele era apenas o namorado da sua irmã.
A campainha tocou e quando Carol abriu a porta, deixou entrar aquilo que um dia, sem saber, lhe traria sentimentos ambíguos.
Oi!
Fernando o namorado da sua irmã Helena, entrou pegando Carol no colo e como se estivesse diante de uma criança, beijou-lhe demoradamente a face.
E aí Carol! Onde está a Helena?
No quarto. Respondeu fechando a porta do apartamento.
Fernando saiu correndo, subiu as escadas, pulando dois degraus a cada passo, como alguém ansioso em rever a namorada.
Helena, a irmã mais velha de Carol, tinha 18 anos e estava no quarto com a TV ligada, sumariamente vestida com um short branco e uma camiseta, rota de tão velha, chinelos e os cabelos crespos despenteados.
Carol, ainda com 15 anos, subiu as escadas, passando pelo quarto onde estavam helena e fernando frouxos de rir. Meio sem compreender o que lhe incomodava, bateu a porta do quarto.
A música alta, fazia tremer delicados objetos na estante do quarto da delicada Carol. Ainda assim, era possível ouvir os risos que vinham do quarto da sua irmã.
Helena então abriu a porta, surpreendendo Carol que, estava debruçada na janela, fumando um cigarro – talvez o quinto da sua vida.
Fumando Carol? Perguntou com ar repressor.
Fernando então veio ver o que acontecia e, maneando a cabeça disse:
Minha garotinha fumando? Vc ainda é uma menininha...a minha menininha!
Pronto, aquela frase incomodou Carol como nunca.
Mais uma vez sem entender o pq, Carol arremessou o cigarro pela janela.
A mãe das meninas chegou, preparando um almoço para todos.
Enquanto Helena ajudava a mãe, Carol, que lia um livro sentada na sala de estar, com as pernas levantadas por sobre os braços da poltrona, viu Fernando descer as escadas, curiosamente em silêncio.
Aproximou-se de Carol e, ajoelhando-se, colocou a mão sobre as coxas dela, apertando-as.
O olhar fixo dos dois parecia ignorar a presença de outras pessoas na casa.
Helena bradou que o almoço estava servido, enquanto caminhava até a sala de jantar.
De súbito, Fernando voltou para perto do último degrau da escada, recobrando a normalidade de seu sorriso.
O entremeio de pernas por debaixo da mesa, fez com que Carol, desculpando o pouco apetite, se levantasse da mesa.
Houve tempos em que o entremeio de pernas, os furtivos beijos na varanda e os secretos encontros na garagem chegaram lhe pareciam naturais.
O inesperado lhe fazia bem.
Um passo sequer pelo apartamento e era como se nada tivesse acontecido.
O que antes lhe incomodava, agora lhe trazia prazer.
Carol nunca tinha visto o 10º andar de seu prédio daquele modo.
O vento forte lhe impedia de abrir os olhos.
E se não valesse a pena?
Pensou mais uma vez em seus motivos e o vento, aumentou cada vez mais, até impedir seus pensamentos. Chegou ao chão.
Conto 2 - "Criança que já faz criança..."
A vi nascer.
Era filha da empregada de um grande amigo meu, Gustavo. Amigo este, que se tornou padrinho de meu filho.
A empregada estava há mais de 20 anos com a família. Pessoa humilde, que veio do nordeste, mais precisamente de Maracuí, interior do Ceará.
Chegou ao RJ nova.
Como todos os nordestinos, foi morar em uma favela lá Duque de Caxias.
Sabia cozinhar, passar, lavar. Começou a trabalhar na casa de meu “cumpade”. Fazia parte de sua família.
Veio a novidade. A empregada havia engravidado.
Nossa, que surpresa. Todos ficaram felizes, mas ao mesmo tempo sentiam pena, uma vez que o marido, ao saber da novidade, a abandou.
Como a relação era muito boa com sua patrona, a mãe do Gustavo foi escolhida como madrinha.
4 meses depois veio a notícia, era uma menina. Seu nome: Bruna.
Bruna foi criada como se fosse a irmã de Gustavo. Teve de tudo, andava com roupas de grife, fazia curso de inglês, entre outras atividades. De segunda a sexta ficava na mansão na Barra e aos sábados voltava a sua realidade em DC.
Bairon, como costumava chamar a Bruna (pois era muito gordinha quando criança) era uma menina sapeca e convivia normalmente com a gente, mesmo tendo uma diferença de mais de 10 anos.
Nunca a olhamos de outra forma, sempre como uma irmãzinha.
Nos acompanhava à praia, a praça.
Aos nove, veio a primeira surpresa, Bayron ficou menstruada.
Muitos acharam estranho, pois uma menina que ainda brincava de boneca, sem maldade, sem maturidade nenhuma, ter ficado menstruada?
A mãe do Gustavo, uma senhora criada para ser dona de casa, moça de interior, casou-se virgem aos 15, achou aquilo uma atrocidade.
Cheguei a comentar com Gustavo que, apesar daquela situação não ser normal, achava que as pessoas estavam “encriançando” muito a Bruninha.
A partir daí comecei a desconfiar de alguma coisa. Mas deixei para lá.
O tempo foi passado e a Bruna começou a crescer.
Na casa de Gustava tudo normal.
Me lembro quando comentaram que haviam meninos ligando para lá.
Mas, deixa para lá. Afinal, era apenas uma criança despertando outros interesses.
Aos doze, arrumou o seu primeiro namoradinho. A mãe de Gustavo achou aquilo um absurdo.
Me perguntaram e eu concordei, a princípio por que estava na casa dele e, segundo, não queria causar intrigas.
O tempo foi passando e logo depois veio a grande novidade.
Bruninha, havia terminado com o namoradinho.
Nem ficou triste com isso. Por que será?
Logo depois, uma bomba!!!!
Gustavo Júnior vem ai...
domingo, 26 de agosto de 2007
Armações
Dormia novamente em menos de cinco minutos, tendo somente o tempo para pensar que a hora de acordar lhe parecia mais cedo a cada dia.
No quarto ao lado, Carol, sua irmã, já estava se levantando. Foi quando Helena, a mãe, abriu as duas portas, que eram coladas, e avisou:
- Crianças, sem moleza!!! Tá na hora de levantar.
Gabriel indignou-se:
- Não tem criança aqui.
Carol foi mais obediente:
- Já vamos mamãe.
Helena respondeu ironicamente:
- Valeu Sr. Adulto, levanta que vai chegar atrasado no colégio.
Gabriel tinha 17 anos, e Carol 15. Já tinham tomado banho e estavam na mesa do café, esperando por sua mãe. A relação dos dois era boa. Se consideravam amigos, apesar das eventuais brigas.
Helena chegou e os acompanhou até o carro. A Escola não era longe, mas sempre os levava lá. Aproveitava e ia direto para o seu escritório, no Centro, para se divertir atormentando a vida dos seus estagiários. Gabriel arriscou:
- Mãe, você já podia me deixar ir de carro para a escola, né?
- Meu filho, apesar de não gostar da idéia, acho que vou te dar este presente. Vou ter que viajar na sexta, e só volto na terça. Você vai na segunda e na terça. De casa para a escola, e de volta para cá. Vou olhar o odômetro, e quero o recibo do estacionamento, hein.
- Jura mãe? Pode deixar.
Gabriel tinha ganho o seu dia. Chegaram no colégio e ele foi para sua sala, do 2° ano, e Carol para a sua, da 8ª série. Mal podia esperar o fim de semana passar.
Na hora do recreio, Gabriel foi abordado por sua irmã, que estava acompanhada:
- Eu falei que a Sabrina podia vir conosco para o colégio na segunda, tá?
Sabrina era amiga da Carol. Estudavam na mesma sala, mesmo Sabrina sendo um ano mais nova. Apesar dos 14 anos, Sabrina já era a musa do colégio. Seus seios fartos e suas coxas grossas não só enganavam a sua idade, como prendiam os olhares de todos, inclusive de Gabriel.
- Pode ser. Aproveita que a mamãe vai viajar e convida ela para dormir lá em casa, assim não temos que buscá-la na segunda.
- Vai depender do que iremos fazer no fim de semana. O que você está fazendo aqui?
- To esperando o Daniel. Ele disse que ia passar aqui antes de ir para a faculdade.
Eis que escutam o som de uma buzina. Gabriel olha para trás e vê o carro do seu amigo, que estaciona e vai até a grade do pátio do colégio. Os dois se encontram na grade:
- Fala safado! Que derrota este colégio, hein...
- Fazer o que, né?
- Aquela ali com a sua irmã é a Sabrininha?
- Sabrininha?
- É amiga da minha irmã também. Vai lá em casa desde nova.
- É, mas cresceu...
- Acho estranho olhar para ela assim... Conheci com 5 anos. Por que você não pega?
- Já chamei para dormir lá em casa este fim de semana.
- Sério?
- Quer dizer, minha irmã chamou...
- Ah... E qual vai ser a boa de sexta? Ravezinha?
- Não, rave é coisa de liso... Vai rolar a festa da Black Hole. É a boa!
- Beleza... Te pego as 11:00h.
- Não, chega mais cedo. Minha mãe vai viajar... A gente faz um pré lá em casa.
- Fechado! Deixa eu ir, ou vou chegar atrasado.
Enquanto estavam na grade, Sabrina conversava com a Carol:
- Aquele ali é o Daniel? Nossa, sempre fui louca por ele...
- Você conhece ele?
- Ele é irmão da Ana Cecília.
- É.
- Sempre sonhei com ele... Quero que ele seja o meu primeiro.
- Você é uma safada mesmo... Hahaha.
- Se ele for aparecer para visitar o seu irmão, eu acho que aceito o convida para dormir lá na sua casa.
- Deixa comigo.
Durante o resto da Aula, Carol ficou remoendo aquela conversa. Sempre tivera uma queda pelo Daniel, assim como sua amiga. Pelo que ouviu, percebeu que não com a mesma intensidade, mas ainda tinha um sentimento conflitante quanto a isto. Não sabia como agir. Decidiu, contudo, ajudar a amiga.
Quando chegou em casa, foi para o quarto do irmão conversar:
- Não fala com a mamãe, mas eu chamei a Sabrina para passar o fim de semana aqui.
- Ótimo.
- Ótimo?
- Tenho certeza de que ela me quer... É a oportunidade ideal.
- Ih, baixa a bola... Ela estava toda derretida pelo Daniel.
Gabriel não esperava por aquilo. Realmente achava que Sabrina o desejava. Não sabia interpretar o jeito doce e sensual com o qual ela sempre o tratava. Dividido entre raiva e ciúme, ficou imóvel por cerca de 1 minuto.
- Gabriel?
- Que?
- To falando com você. Ta dormindo?
- Não... O que ela falou do Daniel?
- Ih, já entendi... É uma merda, porque, para falar a verdade, eu também estava derretida. Acho que nos demos mal nessa.
- Vamos boicotar?
- Não... Ela é minha amiga. E não é como se eu estivesse apaixonada por ele.
- Acho que penso parecido. Você esta certa.
- Fala com ele? Deixa que eu falo com ela... E relaxa que sempre tem outras amigas para te apresentar depois.
- Ok.
Em seu quarto, sozinho, Gabriel foi telefonar para Daniel:
- Daniel?
- Fala...
- Se liga, lembra da Sabrina? Tá pra jogo.
- O que?
- Acho que ela ta interessada em você.
- Por que ta falando isso?
- Por que ela meio que pediu... Para a minha irmã.
- Nem sei o que te falar... Acho ela linda... Mas seria meio estranho... Conheço desde criança, ela frequenta a minha casa... Depois ia colar no meu pé... E o mercado tem estado bom para mim, se é que você me entende...
- Então você não quer?
- Não falei isso... Na sexta a gente conversa...
- Ela vem dormir aqui na sexta.
- A gente se fala...
Gabriel foi se reunir com sua irmã para discutir o assunto. Naquela altura, ambos já estavam entusiasmados com a operação que estavam armando para unir os dois. Ainda que pudessem divergir sobre o que seria realmente uni-los.
No dia seguinte, após a aula, Carol foi para a casa da Sabrina. No quarto, Sabrina, que estava apenas de calcinha e soutien, trancou a porta e começaram a conversar.
- E ai, falou com o seu irmão?
- Parece que o seu príncipe está em conflito. Disse que te conhece e tal... Acha que iria ficar um clima estranho.
- O que você falou?
- Nada demais... Que seria legal vocês juntos...
Sabrina a interrompeu:
- O que foi que você não entendeu?
- Hã?
- É claro que iria ser estranho... Não quero que ele me leve pro cinema!
- Então acho que não entendi nada mesmo!!
- Eu quero que ele seja o meu primeiro.
- Você quer transar com ele?
- É!
- E isso não iria ser estranho?
- Ah, iria... Não sei... Não vai dar para ter romance com ele. Mas de repente um quarto, com as luzes apagadas...
- Não acredito que to ouvindo isso.
- Deixa eu continuar. Como dizem os homens, toca e sai.
- Que horror.
- Você consegue pensar em outra coisa.
- Que tal sair com ele e ver no que dá?
- Não!! Não vou conseguir olhar para a cara dele...
- Então que tal sair com outro?
- Não! No futuro, quem sabe... Mas agora eu quero ele. O que você acha?
- Acho que isso é tudo o que um homem quer ouvir... Não acho legal por você.
- Então, amiga, ou me apresenta outra solução, ou me ajuda. Vai falar que você nunca liberou na primeira vez?
- Eu só tenho 15 anos...
- Não foi isso o que eu perguntei.
- Ah, já, mas é diferente.
- Não acho. E quero que você me ajude.
- Deixa comigo.
Carol foi para casa. Não sabia bem como iria expor a situação para o seu irmão, mas não podia esperar. Já era noite de quinta feira. Chegou e foi direto para o quarto do seu irmão.
- Gabriel?
- Entra!
- Acabei de vir da casa da Sabrina...
- E ai?
- Você ia gostar... Ela estava só de calcinha e soutien...
- Me tortura mesmo.
- Não sei quem é pior, o Daniel ou a Sabrina.
- Por que?
- Porque ela também vai achar estranho...
- Ué, mas foi ela que pediu.
- Eu sei. Ela só quer que ele seja o primeiro dela.
Nesta hora, Gabriel ficou, mais uma vez, paralisado. Estava ajudando o seu amigo, mas cada vez se sentia pior com a situação. E louco de ciúme.
- Gabriel?
- Que?
- Ta dormindo acordado?
- Ela é virgem?
- Alega ser. To brincando... Acho que é sim.
- E o que ela quer que façamos??
- Ela sugeriu um quarto escuro...
- Como assim?
- Sei tanto quando você. Mas acho que ela quer esperar ele lá dentro. O quer quer dizer toca e sai?
- Toca e sai? É um termo de futebol, um tipo de jogada rápida.
- Acho que é isso que ela quer...
- Piranha.
- Por que?
- Esquece. Vou falar com ele. Melhor até sugerir que não falem nada.
- Acho que sim. Então amanhã é o dia.
- Carol?
- O que?
- Você ta tranquila com isso tudo?
- Ah, tranquila não, né? Queria que fosse eu. Não nestes termos, é claro, mas pelo Daniel.
- É, eu também. Não pelo Daniel, mas por estes termos, com a Sabrina.
- Você não presta. E vê se da um jeito no seu quarto...
- Por que? Ta achando que vai ser aqui?
- No meu é que não vai. Tem o quarto de hóspedes.
- Ok.
Foram os dois preparar o quarto de hóspedes. Em silêncio, para a mãe não ouvir. Quando estavam terminando, combinaram que a Sabrina deveria estar ali, no quarto, às 10:00h, e que o Daniel iria entrar às 10:10h. Foram dormir.
No dia seguinte, a aguardada sexta-feira, a mãe os levou à escola e se despediu. Orientou sobre o que comer até terça, e falou que iria deixar o carro na garagem, e a chave na sala, mas só para ir e voltar da escola. Gabriel nem se lembrava do carro.
Quando chegaram do colégio, a casa já estava vazia. Ambos foram para os seus quartos e ficaram o resto do dia esperando os seus convidados. Sabrina chegou cedo e ficou no quarto da Carol. Daniel chegou por volta das 08:00h.
No quarto da Carol, Sabrina não estava tão certa de sua decisão:
- Carol?
- O que?
- Estou nervosa.
- Normal. Minha primeira vez também foi assim. E olha que eu estava bêbada.
- Não é disso que eu to falando. É da maneira que combinamos... Não está certo.
- Como é que é?
- Não é assim que eu quero. Pareço o que? Uma prostituta?
- Eu te falei que era estranho, mas foi você que quis assim. Podemos sair os quatro, beber um chopp...
- Isso eu também já falei que não.
- Então o que você quer?
- Acho que não vai dar para ser com ele...
- Agora você decide isso?
- Ele vai ficar chateado, né? Mas eu tenho que pensar em mim.
- Olha, chateado é um eufemismo, mas você esta certa. Como você vai falar para ele?
- Amiga...
Sabrina falava com um olhar que fazia desnecessário o pedido. Mesmo assim, falou:
- Eu vou embora... Vai lá e avisa para mim?
- Eu é que vou ouvir, né? Ta bom.
E levou a amiga na porta. Carol já não sabia o que fazer. Não queria ser interpelada pelo irmão e pelo amigo. Resolveu ir para o quarto de hóspedes, e esperar pelo Daniel.
Deitada na cama, no escuro, não tinha a menor noção do tempo decorrido. Ficou a olhar a cortina, de costas para a porta.
Quando ouviu a porta se abrir, não sabia, ainda, como iria expor a situação para o Daniel. Porém, ao sentir um beijo no pescoço, ficou imóvel. Arrepiada e imóvel.
Enquanto era beijada no pescoço e na orelha, sentia seus seios serem acariciados. Então, em um movimento rápido, porém sutil, sentiu a saia ir embora. Pouco mais de um minuto depois, sua calcinha já fazia companhia à saia, no chão do quarto.
Só tinha uma certeza. Não conseguia parar de sorrir.Perdida em seus pensamentos e sensações, Carol ficou sem pronunciar uma palavra. Quando voltou a sí, estava sozinha no quarto. Voltou para a sua cama e ficou pensando no Daniel, e no que iria fazer. Não sabia se contava para a Sabrina, ou para os dois. Ou, ainda, se arriscava o silêncio. Dormiu.
No dia seguinte, o telefone acordou Gabriel. Era o Daniel.
- E ai Gabriel, tudo bem?
- Tudo.
- Eu pensei durante a noite, e acho que tomei a decisão certa. Conheço a Sabrina desde nova. Iria ser muito estranho? E ela, como reagiu? Você explicou tudo para ela?
Fura Olho
sexta-feira, 10 de agosto de 2007
Aviso
Estamos com pouquíssimo tempo para postar, mas em breve, novos contos estarão aqui!!!
Fura Olho
domingo, 29 de julho de 2007
Ricardinho
Casaram-se ainda novos. Laís com 22, Ricardo, ainda na faculdade de medicina, com 26.
Ela era mulher perfeita, daquelas que as sogras adoram – educada, de boa família, casta, mas sem muitos atributos físicos.
Diziam as amigas que até tinha se casado virgem. Largara a faculdade para cuidar de Ricardo, tudo girava em torno dele e de sua jornada para continuar com o legado de sua família. Tanto seu pai quanto seu avô foram cardiologistas de grande renome.
Mas, além, desta meta, ele tinha outro sonho, ter um filho homem, e deveria ser o primeiro.
Teria seu nome, seguiria sua profissão, tudo já estava planejado em sua cabeça.
- Laís irá me dar um filho homem, sim senhor, e de saquinho roxo! Dizia, sorrindo, entre as rodadas de cerveja com os amigos.
Passaram-se 9 anos, e dito e feito: Dr. Ricardo era um dos nomes mais em evidência dentro da área da cardiologia. Laís, sempre o acompanhando, não passava de um adorno, sorrindo para todos nas festas, mas ainda tinha serventia como mulher para o marido. Era o momento tão esperado: Ricardo filho deveria ser concebido, e para já.
Quando Laís fez seus 32 anos, deu a notícia ao marido:
- Estou grávida! Sorrindo e esperando um beijo e um abraço.
Enganada estava ela, pois Dr. Ricardo imediatamente foi ligar para os pais e marcar uma rodada com os amigos – deu um beijo na barriga de Laís apenas, e, quase aos berros, disse:
- Agora você não sai mais de casa, vamos contratar o melhor ginecologista, Ricardinho está chegando!
Laís retrucou:
- mas nem sabemos se é homem ainda, amor! Mas é nosso filho, isso é certo
Dr. Ricardo fechou a cara:
- Há de ser homem, eu sei. Flamenguista como o pai!
Saiu para se encontrar com os amigos às pressas, deixando Laís sozinha.
Até o momento da ultra-sonografia para revelar o sexo do bebê, Dr. Ricardo não se segurava de ansiedade. Rezas, promessas, até macumba.Tinha que nascer homem!
Eis que teve sua melhor notícia: Iria nascer um garoto, assim como Dr. Ricardo queria!
Laís também ficou contente, mas depois de enfrentar a longa faculdade do marido, seus estudos, sua ausência, agora que estava grávida nunca se sentia mais sozinha. Dr. Ricardo além de controlar tudo que ela fazia, comia, horário para dormir, também regulava que amigas deveria ver ou falar:
- Fulaninha não, não gosto dela. Imagina quando Ricardinho nascer. Não é boa companhia.
Dia do parto. O enxoval pronto. O quarto de Ricardinho era o melhor e maior da casa. Decoração do time do flamengo. Dr. Ricardo, na maternidade, parecia sentir mais dor que a esposa.
Tudo correu bem. Ricardinho nasceu saudável. Laís o pegou no colo pela primeira vez após acordar, mas não teve muito tempo – Dr. Ricardo já estava lá dentro, mesmo contra a vontade das enfermeiras, segurando o filho no colo, e o levantando para o alto. Nem um beijo em Laís deu.
Ricardinho foi crescendo mais mimado do que nunca pelo pai. Podia tudo, fazia de tudo, ganhava todo o tempo disponível de Dr. Ricardo, que já era pouco, devido à sua atribulada profissão. Sobrava à Lais arrumar a casa, organizar as roupas do marido, e poucas vezes ir visitar a mãe. Era como um fantasma. Suas poucas amigas que ainda tentavam lhe procurar se espantaram quando ela lhes contou que Ricardinho só aprendeu a falar “mama” aos 2 anos, além de se recusar a deixá-la abraçá-lo. Dava desculpas esfarrapadas entre sorrisos amarelos:
-É muito ligado ao pai, sabe? Estão sempre juntos..
Quanto à educação de Ricardinho, ela também não podia opinar. Aos 3 anos quando ele cuspiu na cara da professora do maternal, quando foi falar ao filho que era errado, levou um tremendo fora do marido:
-Deixa o menino, Laís, ela deve ter feito por merecer.
E colocou o filho no colo para assistir à final de um jogo do Flamengo.
Aos cinco anos, Ricardinho era o terror da escolinha. Prepotente, agressivo, se dizia o “rei do mundo.” Era aplaudido pelo pai, que contava aos amigos como o filho tinha personalidade forte.
Na época das férias escolares, Dr.Ricardo resolveu botar Ricardinho em uma colônia de férias, escolhida por sua mãe:
- Lugar muito fino, meu filho, Ricardinho vai fazer boas amizades!
Dr.Ricardo fazia questão de deixar o filho na colônia antes de ir para o trabalho.
Um dia, entretanto, houve um imprevisto. Chamou a mulher:
- Vou ter que sair mais cedo hoje. Uma cirurgia. Deixe meu filho e faça questão que o entregará nas mãos da organizadora. Mas volto para almoçar em casa.
Laís não gostou da forma que ele falou “meu filho”, mas com há muito não tinha o menor valor em sua casa, se limitou a responder:
- Lhe preparo um roast beef.
As 14:00 Dr.Ricardo retornou. Vinha um cheiro ótimo da cozinha. Perguntou para Laís da empregada:
- Dei folga. Estava se sentindo mal. Vou buscar a comida, eu sirvo.
No caminho da cozinha ainda escutou o marido resmungar:
- Pelo menos meu filho estará aqui as 18:00, estou cansado desta inútil.
Laís volta da cozinha com uma travessa com uma grande posta de carne mal passada já fatiada, além do arroz, batatas cozidas e o molho próprio para roast beef. Dr. Ricardo ligou a televisão:
- Me traz uma cerveja, deve ter no freezer.
Laís já estava se sentando a mesa, mas se levantou e foi atender o marido.
Ao abrir o freezer, ela sorriu. Lá estava o corpo de Ricardinho – faltando um grande pedaço da região do flanco - hermeticamente embrulhado em filme plástico, dividido em três pedaços – cabeça, tronco e membros. Retornou à sala:
- A cerveja esta congelada, mas como esta a carne?
domingo, 22 de julho de 2007
Segredos
- Ah, como eu adoro estar aqui com você. Ainda tem mais, né?
- Você não se aguenta de tão piranha! Não sei aonde eu estava com a cabeça...
- Não admito que fale assim comigo.
- Ainda ta falando?? Não quero ser grosseiro, mas quando puder, saia da minha casa.
Vera respirou fundo e com ódio em sua expressão, segurou uma lágrima que iria sair. Levantou-se enrolada no lençol, pegou suas roupas e foi para o banheiro.
A primeira coisa que veio na cabeça de Leonardo foi o fato de, não obstante Vera ter acabado de fazer sexo com ele, enrolou-se no lençol para ir até o banheiro. Esse não era o maior de seus problemas. Não sabia o que fazer em seguida. Contudo, seu raciocínio foi interrompido por um VT do último jogo do seu querido Fluminense.
Vera saiu do banheiro vestindo somente a sua saia, e cobrindo cada seio com uma mão.
- Meu sutiã está na cama?
Revoltado com a interrupção, e mais ainda com as mãos cobrindo os seios que momentos atrás estavam em cima dele. Pegou o sutiã e estendeu para ela, mas ainda em um ponto no meio da cama, o que a obrigaria a esticar o braço para pegar.
- Me dá aqui?
Pedia ela, levantando o indicador da mão que cobria o seio direito.
- Não alcanço.
Vera se irritou e estendeu a mão para pegar, enquanto cobria os dois seios com o braço esquerdo. Leonardo, no entanto, conseguiu contemplar brevemente o seu mamilo levemente rosado.
Voltou para o banheiro e o jogo recuperou seu espectador.
Após cinco minutos, Vera voltou do banheiro e pediu a Leonardo que lhe levasse em casa.
- Tem um ponto aqui embaixo.
- Ah, você é tão criança. E nós, como ficamos?
- Se quiser, te pago um táxi. Nós não ficamos! Nós somos um erro. Um erro que eu vou corrigir. Vou contar para o meu irmão.
- Você não vai fazer isso. Você não pode fazer isso. Você traiu ele tanto quanto eu.
Pairou um silêncio no ar.
- Sempre que ficamos juntos você se sente culpado. É melhor pensar bem nisso. Ele mata nós dois.
- Não tem o que pensar. E também não quero mais ouvir a sua voz. Toma o dinheiro e pega um táxi. Vai!
Sozinho em seu apartamento, não sabia o que fazer. Não podia mais voltar atrás, e não havia maneira fácil de seguir em frente. Lembrou-se da sua primeira vez com Vera. Ainda não se conheciam, e estavam em um churrasco na casa da sua mãe. Felipe, seu irmão, já estava apagado de tanto beber cerveja. Que surpresa não teve quando subiu para seu antigo quarto, igual ao que era quando morava lá, e viu Vera, de biquíni, tentando obter êxito na então árdua tarefa de conseguir abrir a porta do banheiro. Observou-a por um tempo, dividindo-se entre a graça da situação e as belas formas da misteriosa mulher. Quando ela se inclinava para tentar ver se a porta estava trancada, a visão por trás, com o já pequeno biquíni, escondido tanto quanto era possível entre as nádegas, o deixava incontrolado. Apagou as luzes e disse:
- Deixa que eu te ajudo.
Os dois se atracaram rapidamente. Vera achou, no início, que se tratava de Felipe. Mesmo percebendo que havia algo diferente, não queria parar. Não queria, ou não conseguia, devido ao seu estado. Estado este que ela resolveu usar como álibi, e se convenceu que realmente era Felipe. Quando a luz foi acesa e a situação esclarecida, Leonardo impôs que aquilo seria esquecido e que nunca mais se repetiria. Não foi bem assim...
De volta de seu devaneio, Leonardo decidiu ligar para Felipe.
- Felipe, é o Leo, tudo bem?
- Oi Leo, tudo bem?
- Preciso falar com você. Podemos jantar hoje?
- Está tudo bem?
- Está sim, só quero falar com você. Vamos jantar hoje?
- Claro. Te espero aqui em casa às 20:00h, ok?
- Não, vamos na rua.
- Na rua?
- É, não quero dar trabalho.
- Vamos marcar aqui em casa mesmo... Ou fica para semana que vem. Amanhã viajo cedo, se for hoje, tem que ser aqui em casa.
- Ta bom, às 20:00h eu apareço aí.
Não sabia mais o que fazer. Não fosse tudo bastante, ainda teria que aturar a Vera chorando enquanto falava com o irmão. Seu telefone tocava.
- Oi Felipe.
- É a Vera. Por que você achou que era ele?
- Acabei de falar com ele.
- E contou?
- Não, vou contar de noite.
- Não!!!
- Me ligou para que?
- Para você não fazer nenhuma besteira.
- Eu achei que tinha deixado claro que não queria mais falar com você.
- Mas isto diz respeito a mim também.
- Bom, você já sabe o que vou fazer. Se quiser conte antes, ou fuja. Só não fale mais comigo.
- Não faz isso. Pelo que tivemos...
- Você é muito piranha mesmo.
E bateu o telefone na cara dela. Ficou a pensar no que iria fazer. Por via das dúvidas, programou o despertador para 18:00h. Começou a refletir e em menos de dez minutos estava dormindo.
Acordou com o despertador. Foi se arrumar, ainda sem saber como falaria com o irmão.
Chegou na casa do Felipe dez minutos antes do combinado. Foi recebido e ambos foram para a sala. Felipe começou:
- Você estava sumido, hein. A que devo a honra?
- Precisamos conversar. Não sei nem como começar... Você falou com a Vera hoje?
- Mas que pergunta. Claro que sim.
- Não... Perguntei se vocês conversaram hoje.
- Não. Acordei de manhã e levei-a ao médico. Só isso.
- Não falou mais com ela?
- Não. Ela chegou cansada e...
- O que?? Ela está ai?
- Está sim. Disse que não vai jantar conosco porque está cansada, mas pediu para você ir falar com ela quando chegasse.
- Ela pediu isso?
- Pediu. Vá lá no quarto falar com ela enquanto eu pego uma cerveja.
Leonardo não sabia o que fazer. Achara muito cinismo da parte de Vera não ter contado a verdade, e ainda estar presente. Para piorar, ainda queria falar com ele. Talvez uma última tentativa de lhe fazer mudar de idéia.
Chegando no quarto, porém, viu que sua especulação estava errada. Não esperava aquilo. O corpo de Vera, ensopado de sangue, em cima da cama. As mutilações estavam visíveis, e o sangue já escorria até o chão. Por um momento esqueceu o que estava acontecendo e pensou em chamar a polícia. Antes de qualquer reação, entretanto, lembrou que deveria voltar à sala para confrontar Felipe. Não tinha medo dele e sabia que podia subjugá-lo, ainda que portasse qualquer que fosse o objeto usado para matar Vera.
Chegando na sala, viu que estava, mais uma vez, errado. Felipe já o aguardava, com sua Desert Eagle .50 nas mãos.
- E ai irmão, o que é que você queria falar comigo?
- Abaixa esta arma. Aliás, aonde foi que você conseguiu este negócio enorme.
- Acho que esta não deve ser sua principal preocupação.
- Você não está bem. Abaixa isto. Vamos conversar.
- Conversa.
- Você já sabe de tudo. Eu sou um cretino. Mas não é assim que você vai resolver as coisas.
- Eu realmente não tive muito tempo para pensar nisso quando aquela piranha chegou em casa. Mas entre assassino e corno manso, podendo escolher, eu fico com a primeira.
- Vale a pena ir preso?
- Meio sem sentido a sua pergunta, posto que a vagabunda já foi. Mas como tinha dito, amanha estou viajando. Para a China. E não preciso voltar. Ninguém vai achar vocês dois até amanha mesmo. E até que cheguem a mim, já vou estar casado e com filho, sem possibilidade de extradição.
- Mas eu sou seu irmão.
- Me parece que você não tinha pensado nisto até agora.
- Então se tem que atirar, atira logo!
Foi quando a campainha os interrompeu. Felipe se dirigiu à porta, pronto para despachar um suposto vizinho chato. Se surpreendeu quando viu que era sua mãe.
- O que você veio fazer aqui?
- Eu estava falando com a Vera mais cedo.
- E o que ela te falou?
- Nada. Você chegou no quarto antes. Mas o celular dela está ligado até agora.
- Celular?
- É.
E a mãe lhe mostrava o seu aparelho, com a enorme chamada ainda em curso.
- E não vou deixar você fazer o mesmo com o seu irmão.
- Você sabia que era ele?
- Não tinha certeza.
- E nunca me falou nada? E agora vem se meter?
- Matar, eu não vou deixar.
- Mas me deixou ser corno??
- Que besteira meu filho.
- Ainda dá tempo de salvar a minha honra.
Virou-se para procurar Leonardo, mas não o encontrou. Já tinha ido embora. Voltou para encontrar a mãe, quando novamente ouviu a campainha. Quando abriu a porta, deparou-se com a polícia. Sua mãe tinha pedido para uma viatura a acompanhar. Leonardo, quando saiu, mandou-os para lá.
Ao contrário do que pretendia, seu futuro estava escrito. Seria apenas corno.
terça-feira, 17 de julho de 2007
Leite
Passada a euforia inicial, Pedro fala com Guilherme:
- É meu camarada, mandamos muito bem!!! O Casamento do meu pai, na Alemanha já vai ser regado!! E cheio de mulher. Não acredito até agora que conseguimos enrolar ele com este esquema. Este pitstop em Amsterdãm vai ser providencial. Depois trem para Alemanha e mochilão pela Europa...
Guilherme respondeu:
- Você acha que o meu tio é otário. No mínimo vai querer que fiquemos uma semana na Alemanha. E este pitstop é aquele drible desnecessário a mais. Vamos passar na Holanda depois mesmo...
Pedro fez careta e a viagem seguiu e os dois foram assistindo filmes durante a maior parte da viagem. Só dormiram quando faltavam duas horas para o pouso.
Acordaram quando o avião aterrissou. Saíram do aeroporto de Amsterdam ao meio dia do horário local e foram direto para estação de trem, onde perceberam que o único horário que tinha passagem disponível era do de meia noite. Guilherme reclamou:
- Porra, sabia. Você deixa para ver tudo em cima da hora. E agora??
- Deixa de ser chorão. O casamento é às 10:00h da manha. Da tempo de sobra.
- Para se vestir dá, mas vamos virados, né?
- Ah, deixa para dormir no Brasil...
- Vamos para um hotel ou albergue. Da para dormir um pouco e depois saímos.
- Tá maluco!! Vamos só tomar um banho, trocar de roupa e sair pasa marcar o território.
Chegaram em um albergue que com certeza estava entre os piores da cidade. Por U$ 10,00 a diária, não dava para exigir muito. Tomaram banho, trocaram de roupa e se encontraram na recepção. Pedro disparou:
- E ai, qual vai ser?? Vamos para um café ou direto para o Red Light District??
- Será que já abriu o Red Light?? Vamos para um café primeiro. Se der tempo, passamos lá...
- Não entendi suas prioridades, mas tudo bem...
- No café vai ter mulher também, e eu quero ter bastante tempo para ir lá com as "meninas", melhor deixar para a volta, e tirarmos um ou dois dias para ficar direto lá...
- Ok.
Foram para o Dampkring, tradicional café e logo pegaram uma mesa. Chamaram o garçom e pediram, em inglês, uma Heineken e perguntaram sobre que maconha ele lhes indicava. O garçom aconselhou-lhes a mais fraca.
Primeiro veio a Heineken e com ela, um brinde à viagem que se iniciava. Minutos depois, veio o garçon com a maconha, e perguntou se eles iríam apertar. Pedro fez que sim, apertou e começaram a fumar.
Guilherme percebeu duas meninas em uma mesa próxima, e lançou um desafio a Pedro:
- Você não é o cara? Vai lá e pega uma delas. Depois eu vou e chego na amiga.
- Vamos acabar de fumar... Deixa comigo!!
Terminaram o ritual do acende, puxa, prende, passa e perceberam que a maconha fraca era poderosa com relação a que consumiam no Brasil. Ainda assim, "experientes" que eram, estavam numa boa para iniciar a aproximação. Pedro falou:
- Olha e aprende...
Levantou-se e ficou parado sorrindo em frente a mesa das meninas, muito bonitas, que também sorriam. Arriscou:
- Hi, how are you doing? I´m here with my cousin... Why don´t you come and have beer with us?
- Je ne parle pas anglais.
Não podia ter ficado mais perdido. Tentou a sorte com a amiga:
- Do you speak english?
- Non.
- Where are you from?
- France.
Virou-se para Guilherme e mandou:
- Ih, estas piranhas são francesas.
Guilherme não se conformava com esta mania do Pedro de se referir a todas as mulheres como piranhas. Respondeu:
- Ah, arrisca um francês ai...
- Deixa comigo.
Agora olhando para elas:
- Voulez vous coucher avec moi, ce soir ?
- Sale garçon.
As meninas começaram a gritar e parecia que chamavam o gerente. Pedro achou melhor voltas para a sua mesa. Gulherme perguntou o que houve de errado, e ouviu:
- Ah, estas piranhas francesas... No mímino são lésbicas. Agora eu preciso fumar outro hatch. E dos fortes.
Chamaram o garçom para pedir o potente. Ele chegou e, ao ouvir o pedido deles, explicou que o mais forte não era indicado, pois não estavam acostumados. Com a insistência deles trouxe. Guilherme virou para Pedro:
- Cara, será que este não é muito forte? São 18:00h, temos que ficar ligados na hora.
- Ah, já ta reclamando de novo? Se não quiser não fuma... Quer pedir um nescau? Será que tem? Leite deve ter... Garçom!!!! Traz um leite para o meu amigo!!!
- Cala a boca. Vamos fumar sim...
Enquanto isso, passavam por tras, indo embora, as francesas. A primeira deixou um papel com o telefone e o endereço do hotel para Guilherme. A segunda acariciou sua cabeça e arriscou o inglês:
- You! Me and her! Tonight. Don´t bring your friend!!
Antes que tivesse tempo de tentar responder, elas já tinham ido embora... Virou-se para Pedro:
- Hahahaha... Não é o fodão??? Vai no Red Light sozinho!!! 9:30h eu to saindo daqui e te encontro 12:00h na estação de trem. Seu liso safado!!
Nisso, chegava o garçom com a maconha forte. Entregou para Pedro e saiu, após instruir-lhes para fumar devagar e com cuidado. Pedro pegou, e enquanto apertava, falou com Guilherme:
- Vai ter que tirar foto das duas peladas!!!! Piranhas!! Fraquinhas para mim... Mas para você ta bom... Não acredito que você vai abrir o placar da viagem. Mas ta valendo...
E acendeu o baseado. Quando chegaram na metade dele, nenhum dos dois sabia quem era quem. Estavam completamente chapados... Pedro começou:
- Ai... to doidaraço!!! Hahahahahahahahah
- Hahahahahahaha. Vou comer duas hoje!!!! Adorei a Alemanha!!
- Ainda estamos na Holanda idiota...
- Hahahahahahahahahahahahahahaha
- Porra, este base é bom mesmo!!!
- Hahahahahahahaha...
- Se liga naquele poster?
- Hã?
- Poster!
- Poster?
- É porra... Alí no muro...
- Muro?? Parede!! Hahahahahahah
- Hahahahaha...
E ficaram olhando, em um estado de entorpecimento profundo, para um poster, daqueles do tipo "... and i love Amsterdam", com vários desenhos engraçados com situações da cidade.
Após uma análise profunda do poster, em que ambos esqueceram do mundo para descobrir cada personagem, Guilherme virou para Pedro:
- Ai... Hahahahaha... Muito maneiro este poster... Temos que ver que horas são... Já escureceu... Já faz um tempo... Vamos ver que horas são... Daqui a pouco tenho que ir para a casa das mulé... E tem o trem 12:00h. Vamos marcar 11:40 lá?
- Hã?
- Porra, vou ter que repetir??
- É, né... Ja ta escuro... Nem ví... Vamos ver com o garçom que horas são aqui... 11:40 h tá maneiro... Dá pra dar um rolé no Red Light District... Garçom!!!
E o garçom chegou. Já era outro. Guilherme perguntou:
- Meu camarada, que horas são?? Tenho um compromisso às 9:30...
- São 2:00h da manhã.
- Impossível. Acabamos de chegar.
- Tem relógio na parede. 2:00h da manhã.
- Acabou de escurecer... Tenho que pegar um trem à 12:00h.
- Vai ter que pegar outro... Aqui escurece às 10:00, e isso já faz um tempo... Da próxima vez, sugiro leite para você também.
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Nota do autor:
Fiz uma pequena pesquisa, mas por a estória se passar na Holanda, país que não conheço, é possível que tenha cometido algum equívoco.
Os termos em inglês e francês são fáceis e de conhecimento geral (Eu não falo frances). Qualquer dúvida, tem a ferramenta de idiomas do Google.
Fura Olho
sexta-feira, 13 de julho de 2007
Carol...
Amanda, a irmã, chorava copiosamente. A tristeza era geral, como não poderia deixar de ser em uma cerimônia de adeus de uma jovem bonita de apenas 15 anos, mas a intensidade das lágrimas de Amanda, de 19 anos, destoava.
Em sua cabeça, vinham os confusos pensamentos: "Minha irmazinha. Tão bonita... Não foi culpa minha... É normal irmãs se beijarem! Eu não sou lésbica! Eu tenho namorado...". O namorado, Pedro, não estava lá. Não passava de um acessório. Era bonzinho, a tratava bem, mas não dividia com ela suas emoções, seus problemas e nem nada mais íntimo que um beijo.
Os tios ainda comentavam a cena. A jovem Carolina, encontrada no sofá, com a arma de seu pai na mão, os olhos ainda abertos, e sangue por todos os lados. Vestia somente sua camisola, que outrora deixava parcial visão de seus seios, colada no corpo, encharcada de sangue.
O prefeito do Rio de Janeiro estava prestando suas homenagens. Não conhecia Carol, mas era amigo e devia alguns favores ao seu pai, o desembargador Fernando Drummond, e não iria se ausentar por nada em uma hora penosa como esta. Presente, contudo, apenas de corpo. Não parava de olhar no relógio, com medo de perder o início do jogo do Botafogo. Otimista, ainda estava confiante no seu time, mesmo após o escândalo de dóping do então ídolo Dodô. Já pensava em ligar para sua esposa e ordenar que gravasse o jogo.
O enterro proseguiu, com muitas lágrimas, culminando estas, no momento em que baixaram o caixão, bonito, de carvalho, rico em detalhes. Todos já aguardavam o momento final, em que iriam, mais uma vez, dar as condolências à família, e então voltar para suas casas.
Duas semanas antes desta trágica cena, Amanda estava repousando em seu quarto. Pensava em sua irmã. Sempre sentira um carinho especial pela mesma. Cudava dela, apesar da pouca diferença de idade, como sua filha. Nos últimos meses, este carinho vinha se transformando em uma estranha atração. Não se dava bem fisicamente com Pedro, nem com seus últimos dois namorados. Na verdade, nunca se sentira satisfeita por completo com os homens, a não ser pelo ego que eles conseguiam inflar. Contudo, não se imaginava com outra mulher. Na verdade, tinha repulsa. Por isto não sabia como lidar com a atração que vinha sentindo pela irmã.
Além do fato de ser outra mulher, olhar para a sua irmã com tais olhos, era uma situação nova e desconcertante. Estavam sozinhas em casa. Era terça feira, e o pai estava em Sessão, no Tribunal de Justiça. A mãe tinha ido fazer compras, junto com Jussara, sua doméstica.
Amanda, então, foi atrás de Carol, que tomava banho no banheiro do corredor. Como de costume, a porta estava aberta. Entrou sem fazer barulho e, parciamlente escondida pelo vapor, ficou observando a irmã pela cortina transparente. Apesar de ja terem se visto na praia, e até no quarto, apenas de calcinha e soutien, o corpo desnudo da irmã lhe parecia uma grande novidade. A atenção era dividida pelas coxas grossas, pelos seios, já grandes, delicadamente rosados, e seu bumbum, que era constantemente ensaboado, com movimentos firmes e arredondados.
Carol percebeu a presença.
- Oi... Nem ví você entrando.
Respondeu, na inocência própria de sua idade.
- Vim pegar minha escova. Pode deixar que já vou sair...
- Não! Espera um pouco, já estou saindo. Me ajuda a escolher uma roupa.
Enquanto saia do banho, sem a obstrução da cortina, para se enxugar, Amanda se extasiava. Cada curva, cada pinta, cada pelo era notado.
Já no quarto, com o vestido definido, Amanda ajudava a prender o cordão, quando com a proximidade dos dois belos rostos, não resistindo ao seu conflito, deu um beijo na irmã.
- O que você esta fazendo?
Perguntou docemente Carolina.
- Nada, só um carinho. Gosto muito de você.
Respondia Amanda, trêmula.
- Que sensação estranha.
- É normal. Muitas irmãs se beijam. Eu te amo.
- Você gosta de mim.
- Não, eu te amo.
Partiu para outro beijo, certa do êxito, pois não fôra interrompida no primeiro. Neste, entretanto, apesar do primeiro momento em que as línguas se tocavam parecer consentido, foi empurrada pela irmã.
- Não Mandita, é errado.
- Não pode ser errado. Eu te amo!
- Mas eu não quero. Você é minha irmã.
- Calma.
- Não, estou saindo. Tchau.
Mais tarde, naquele dia, todos ouviram a novidade. Carolina iria viajar para a França, em um intercâmbio cultural. A idéia sempre era ventilada pelos pais. Quando saiu de casa, ligou para a mãe, que adorou a notícia. Adorou tanto que deixou Jussara no mercado e foi encontrar com a filha caçula na agência. Agora, no jantar a notícia era dada. Viajaria em um mês.
Após o fechamento do túmulo, e já tendo a família falado com todos os presentes, rompia o silêncio a sirene do carro da polícia que estava chegando.
Todos imaginavam que se tratava de um assunto do governador. Até que, após reservada conversa com o mesmo, três policiais se dirigem à família e, após as condolências, deram voz de prisão à Amanda.
- Isto é um absurdo.
Esbravejava o desembargador.
- Você sabe com quem esta falando?
- Sim. Com sua filha. Presa em flagrante pelo homicídio da irmã.
- Como?? Me da o seu nome rapaz. Agora! Minha filha se matou.
- Sentimos pelo momento excelência, mas a perícia foi muito simples e clara. A cena foi armada para parecer como tal. Não há dúvidas.
O choro de Amanda era alto e contínuo. Uma confissão não seria tão clara. Entrou no carro e foi para a delegacia. Não tinha um pensamento conexo. Não sabia onde estava. Só pensava em seu grande amor, seu desejo, sua obsessão. Carolina.
Fura Olho
Alvo Fácil
Espero que gostem - ou não, de novo - já estou acostumada com críticas!
Bem vindos!
Criticada.
Começa Hoje
Acredito que quem esteja lendo este primeiro post, chegou aqui pelo meu outro blog.
Bom, escrevo este com a brilhante Criticada, e este vai ser exclusivamente de contos e estórias. Eventualmente um artigo sobre literatura. Um pouco mais sério que o outro, mas sempre cabe uma besteira...
Vamos ver como nos saímos.
Fura Olho